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Dicas para plantar sua horta de modo divertido, saudável, delicioso e dando muito menos trabalho do que imagina

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Tomate Fresquinho Sem Agrotóxico na Sua Horta

Tomate Fresquinho Sem Agrotóxico na Sua Horta

 

O tomate (Solanum lycopersicum L. ou Lycopersicon esculentum) é o fruto levemente ácido e adocicado do tomateiro. Membro da família das Solanáceas, a mesma das berinjelas, pimentas, pimentões, batatas e tabaco, o tomateiro é uma planta perene, normalmente cultivada como anual, bastante ramificada e com caules flexíveis.

Apesar do papel de destaque que ganhou na cozinha mediterrânea, o tomateiro é, na realidade, originário da América do Sul. Mais especificamente, das áreas hoje ocupadas por Colômbia, Equador, Peru, Chile e Bolívia.

Acredita-se que o cultivo dos tomates teve início no México, nas civilizações Maia e Azteca. Os primeiros tomates cultivados seriam menores, parecidos com os tomates-cereja que vemos hoje. De lá vem o nome tomatl, cujo significado é algo como “baga inchada”.

No século XVI, as sementes dos tomateiros foram levadas à Europa, onde sua popularidade e utilização se espalharam lentamente, pois como as folhas e caules do tomateiro são normalmente impróprios para consumo, acreditava-se que o mesmo poderiam ocorrer com os frutos.

Depois de um período de desconfiança e plantio ornamental, o tomate foi ganhando espaço nas lavouras e mesas do velho continente, principalmente na Itália, Espanha e Grã-Bretanha, sendo hoje uma das plantas mais cultivadas e consumidas no mundo, com milhares de variedades.

Contudo, essa fruta carnuda, suculenta e rica em licopeno e tantos outros nutrientes importantes sofre do mesmo grave problema dos morangos e alfaces: o excesso de agrotóxicos utilizados em seu cultivo, que torna a escolha de tomates orgânicos essencial para a saúde, e o cultivo caseiro ainda mais especial!

Mas esta não é a única vantagem. Geralmente os produtores colhem os tomates ainda verdes para que durem mais tempo e possam suportar o transporte até o consumidor final. Quando se cultiva tomates em casa, no entanto, é possível deixar que eles amadureçam no pé e isto faz com que os tomates percam todo o seu amargor e fiquem bem docinhos, na medida certa.

Clique aqui para ver nossas deliciosas receitas com tomates!

Variedades de tomate

Versátil, saboroso e nutritivo, o tomate tem hoje mais de 7.500 variedades de cultivares, que diferem bastante quanto ao tamanho (1 cm a 10 cm), formato, coloração e textura do fruto, quantidade de polpa vs. sementes, e adaptabilidade a diferentes climas, regiões e tipos de manuseio.

A maioria dos tomates que encontramos hoje em dia é de tomates vermelhos, mas também existem tomates verdes, amarelos, rosados, alaranjados, roxos, marrons, pretos, brancos e até mesmo multicoloridos,  listrados ou peludos.

Tomates de variedades diferentes

Tomates de variedades diferentes

Independente da cor ou das outras características físicas dos frutos, os tomateiros são normalmente classificados em 3 categorias, de acordo com seu hábito de crescimento:

  1. Determinado: Considerados arbustivos por formarem moitas, os tomateiros de crescimento determinado produzem todos os seus frutos numa temporada limitada e curta, chegando a uma altura máxima limitada e relativamente baixa. Incluem-se aqui os tomateiros anões.
  2. Indeterminado: Crescem como ramas, que seguem se alongando de maneira indeterminada e necessitam de apoio. As ramas produzem os frutos enquanto crescem e assim podem fornecer tomates maduros por uma temporada longa, sendo excelentes para quem quer constatemente ter tomates fresquinhos direto da horta.
  3. Intermediário: Conhecidos como determinados vigorosos ou semi-determinados, os tomateiros intermediários têm crescimento limitado como os deteminados, mas produzem uma segunda colheita. São mais incomuns que os das outras duas categorias.

No Brasil, encontramos tomateiros de todos os diferentes hábitos de crescimento. Embora haja outros, a Embrapa sugere 4 principais grupos de tomateiros (salada, santa cruz, italiano e cereja). Os mais consumidos por aqui são:

  • Tomate carmem: Muito usado em saladas, é o que mais se encontra em mercados, feiras e sacolões. Este tomate arredondado chega a pesar até 200g. Pertencente ao grupo salada, como a maioria dos tomates de hábito indeterminado, é firme e resistente, porém um tanto aguado e amarelado, não sendo indicado para o preparo de molho de tomate.
  • Tomate cereja: As variedades deste grupo como o Sweet Gold, o Sweet Grape e o Red Petit, são de hábito indeterminado e apresentam frutos pequenos (12g a 40g), mas bastante adocicados e suculentos. Seu tamanho, forma e sabor fazem com que sejam ótimos para decorar pratos, integrar saladas, couverts e espetinhos, como os espetinhos caprese.
  • Tomate caqui: Podendo chegar a pesar até 500g, o tomate caqui é mais mole, mas tem sabor mais forte e coloração mais avermelhada que o carmem, sendo ótimo para usar em saladas ou num molho vinagrete.
  • Tomate débora: Do grupo de tomates santa cruz, os tomates débora têm hábito indeterminado, são consistentes e firmes, pesando entre 80g e 220g. Podem ser usados com bons resultados em saladas (embora mais ácidos que o carmem), molhos (embora tenham mais sementes que o italiano) ou até para fazer tomate seco.
  • Tomate italiano: Ideais para fazer molhos, os tomates italianos como o San Vito, Andrea e o San Marzano chegam a pesar entre 95g e 140g. São frutos alongados, às vezes até pontiagudos, com poucas sementes, polpa espessa e coloração e sabor intensos.
  • Tomate holandês: Mais doces e perfumados que os outros desta lista, os tomates do grupo holandês pesam entre 40g e 130g e costumam ser vendidos ainda na rama, que deve estar bem verde e nada marrom. Ficam ótimos em saladas e são ideais para usar em receitas de tomates recheados ou gratinados.

 

Informações Nutricionais

NUTRIENTES100 GRAMASNUTRIENTES100 GRAMAS
Umidade (%)93,0Ferro (mg)1,0
Energia (Kcal)21Sódio (mg)4
Energia (KJ)88Potássio (mg)252
Proteína (g)2,0Cobre (mg)0,16
Lipídeos (g)0,4Zinco (mg)0,5
Colesterol (mg)NARetinol (µg)NA
Carboidrato (g)3,6RE (µg)1035
Fibra alimentar (g)3,3RAE (µg)517
Cinzas (g)1,0Tiamina (mg)0,06
Cálcio (mg)211Riboflavina (mg)0,21
Magnésio (mg)58Piridoxina (mg)0,06
Manganês (mg)0,17Niacina (mg)0,90
Fósforo (mg)40Vitamina C (mg)2,3

Tabela Brasileira de Composição de Alimentos – TACO 4ª edição revisada e ampliada, Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação – NEPA, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.

Benefícios do tomate à saúde

O tomate é uma fruta carregada de nutrientes benéficos à saúde, sendo o mais famoso deles o licopeno. Este pigmento carotenóide é o fito-nutriente responsável pela cor avermelhada (na forma de trans-licopeno) ou alaranjada (na forma de tetra-cis-licopeno) dos tomates e tem forte ação antioxidante no organismo.

Além do licopeno, o tomate traz uma combinação poderosa de vitaminas e minerais, além de outros carotenóides (como o beta-caroteno, luteína e zeaxantina); flavonóides (como a naringenina, chalconaringenina, rutina, quercetina e canferol – também encontrado no morango e no alho-poró); ácidos hidroxicinâmicos (como o caféico, ferúlico e cumárico); glucósidos (como o esculeósido A) e o ácido 9-oxo-octadecadienóico. Esses nutrientes estão em todas as partes do tomate, inclusive na pele e nas sementes, sendo que quanto mais inteiro estiverem os tomates que consumir, mais nutrientes estará ingerindo.

O trans-licopeno deixa esses tomates italiano maduros vermelhinhos

O trans-licopeno deixa esses tomates italianos maduros vermelhinhos

Já faz tempo que se ouve dizer que comer tomate faz bem para o coração e, realmente, o consumo de tomate contribui para a boa saúde do sistema cardiovascular. Seus nutrientes proporcionam isso em 3 frentes: reduzindo o colesterol (total, LDL e triglicérides); por meio da ação de seus antioxidantes que reduzem as chances do desenvolvimento de aterosclerose; e pela prevenção do agregamento de plaquetas e consequente diminuição da chance de formação de coágulos e entupimentos vasculares.

Por conter nutrientes com ação antioxidante e anti-inflamatória como o canferol, a vitamina C e o próprio licopeno, o consumo do tomate favorece o controle do estresse oxidativo e dos processos inflamatórios, ambos estopins para o desenvolvimento de diversos tipos de câncer, como os de mama e pâncreas. Além disso, a alfa-tomatina é especificamente eficaz no combate ao câncer de próstata e a pequenos cânceres de pulmão por alterar o metabolismo das células cancerígenas e desencadear o processo de apoptose (morte programada) das mesmas.

Descobriu-se recentemente que uma dieta pobre em licopeno e outros antioxidantes presentes no tomate pode causar alterações indesejáveis nas células dos ossos, potencialmente comprometendo sua estrutura. O tomate é indicado para a manutenção de uma boa saúde dos ossos também por conter concentrações significativas de cálcio e potássio.

Embora ainda não tenham sido extensamente pesquisados, o tomate também traz benefícios no que diz respeito à redução do risco de desenvolvimento de obesidade, degeneração macular e, mais notavelmente, de doenças neurológicas como a de Alzheimer.

Restrições ao consumo de tomate

Os tomates são de uma família da qual fazem parte espécies venenosas como a beladona (Atropa belladonna). A toxicidade de membros da família das Solanáceas vem da alta concentração de alcaloides tropânicos (que podem causar reações adversas em pessoas sensíveis). Embora os tomateiros também contenham essas substâncias, sua concentração não é muito elevada e está concentrada nas partes verdes (folhas e ramos), não nos frutos, não havendo risco em consumi-los.

Por ser rico em cálcio, o consumo excessivo de tomates é desaconselhado para portadores de cálculos renais, reumatismo e artrite.

Entretanto, assim como acontece com o morango, a maior restrição ao consumo de tomates se dá devido à intensa utilização de agrotóxicos durante seu cultivo. Isso ocorre porque os tomateiros são plantas bastante suscetíveis a pragas e doenças e muitos produtores apelam ao uso excessivo de agrotóxicos para garantir safras melhores.

O consumo frequente e de doses elevadas de agrotóxicos pode trazer sérios problemas à saúde, como o comprometimento das funções do fígado, da capacidade celular de produção de energia e até mesmo da transmissão de sinais entre os neurônios.

Como cultivar tomate

Flores e folhas do tomateiro

Flores e folhas do tomateiro

O tomateiro é uma planta de porte arbustivo, perene, mas normalmente cultivada como anual. Com folhas alternas, pecioladas, pinadas e com margens dentadas, apresenta flores amarelas agrupadas. Possui raiz pivotante que pode chegar a até 1,5 m de profundidade e raízes adventícias secundárias e terciárias.

Seus caules são bastante finos e flexíveis e, por precisarem suportar bastante peso, os tomateiros tendem a tombar espalhando os ramos pelo chão. Por isso, costumam necessitar de algum tipo de suporte para que as vinhas possam crescer para cima e os frutos fiquem protegidos.

As variedades de hábito de crescimento determinado atingem de 1 m a 3 m quando maduras, enquanto que as de hábito indeterminado podem chegar a até 20 m!

Tomates e manjericão: bons parceiros na mesa e na horta!

Tomates e manjericão: bons parceiros na mesa e na horta!

Os frutos são do tipo baga e podem ter diversos formatos (arredondados, ovalados, alongados, oblongos ou piriformes), cores, tamanhos e quantidades de lóculos (as câmaras internas que abrigam as sementes).

Seu cultivo é bastante interessante para horticultores iniciantes, pois embora requisitem bastante atenção e sejam mais suscetíveis a doenças que a maioria dos outros vegetais cultiváveis, os tomateiros são fáceis de cuidar. Tomando-se os devidos cuidados, uma horta com alguns poucos deles já produzirá boas e abundantes colheitas.

Você pode escolher uma ou mais das diversas variedades de tomate para plantar. Dê preferência às que se desenvolvem melhor nas condições que sua área de plantio apresenta e, claro, àquelas que mais gosta de comer!

Em geral, indica-se plantar mais de uma variedade, pois isso ajuda a ampliar a temporada de colheita. Os tomateiros costumam apresentar um bom crescimento quando plantados em consórcio com ervas aromáticas como o manjericão e recomenda-se plantar 2 tomateiros para cada pessoa que pretende consumir os tomates.

 

Como plantar tomate

Solo

Os tomateiros se desenvolvem bem em quase qualquer composição de solo, desde que seja suficientemente profundo, permeável, rico em matéria orgânica, tenha boa drenagem e não seja muito argiloso (para não encharcar nem esquentar facilmente).

Como o morango, preferem solo mais ácido, com pH entre 5,5 e 7,0, sendo ideal a faixa entre 6,0 e 6,8.

Ao preparar o solo para plantio, prefira uma base areno-argilosa e a enriqueça com adubo orgânico como húmus de minhoca. Então, use um rastelo ou enxadinha para soltá-lo e afofá-lo bem até uma profundidade de 15-20 cm. Um solo leve permitirá que as raízes se espalhem com mais facilidade e favorecerá a boa drenagem de água.

O solo deve ser protegido com algum tipo de cobertura morta seca para evitar o desenvolvimento de plantas concorrentes e dificultar o surgimento de algumas pragas e doenças.

Também é possível fazer o cultivo do tomate em estufas e em sistemas hidropônicos, aquapônicos e aeropônicos, dos quais falaremos futuramente.

Clima

Os tomateiros são bastante tolerantes a temperaturas variadas, desde que não muito extremas, sendo cultivados principalmente nos climas temperado, subtropical e tropical de altitude. Preferem temperaturas entre 15°C e 24°C, bastante exposição ao Sol e climas não muito úmidos nem muito chuvosos.

Temperaturas entre 20°C e 25°C favorecem a germinação, enquanto que temperaturas de 18°C a 25°C favorecem o crescimento da planta, inclusive a floração e a frutificação. Temperaturas acima dos 32°C inibem a formação dos frutos por fazerem as flores cair. Acima dos 34°C a planta começa a apresentar distúrbios respiratórios e, acima dos 37°C, os frutos amolecem.

Também é possível cultivar tomates em climas mais frios e até sujeitos a geadas. Para isso, contudo, é necessário plantá-los sob proteção de uma estufa para que os folíolos não queimem e a planta não morra.

Plantar semente

Usando suas próprias sementes ou sementes adquiridas de fonte idônea, você pode plantar seus tomateiros diretamente no local de cultivo, ou em recipientes que tenham 7-10 cm de profundidade e 7-8 cm de diâmetro, como sementeiras, copinhos de papel ou plástico, garrafas pet cortadas ou bandejas de isopor.

Antes de plantar suas próprias sementes, deixe-as imersas em água morna por 20 minutos e coloque-as para secar novamente por 2 ou 3 dias antes de plantar.

Caso decida plantar fora do local definitivo, use terra peneirada e coloque 3 ou 4 sementes por recipiente a 1 cm de profundidade. Coloque os recipientes num local protegido de pragas e intempéries, com boa luminosidade mas sem incidência direta de Sol e regue com um borrifador diariamente ou sempre que notar a terra se ressecando.

TomateQuando começarem a nascer as folhas definitivas das mudinhas, faça o raleamento, deixando somente as 2 mais saudáveis em cada recipiente. Quando atingirem entre 15 cm e 25 cm de altura e tiverem 4 ou 5 ramos com folhas definitivas (de 20 a 30 dias depois de germinadas) as mudas estarão prontas para serem transplantadas. Faça a adaptação gradual das mesmas às condições de insolação do local de cultivo definitivo no decorrer de 5 dias antes de plantá-las.

Caso prefira plantá-las diretamente no local definitivo, use uma camada de terra peneirada sobre o solo preparado, o proteja com cobertura morta e siga os mesmos cuidados do plantio em recipientes.

Plantar mudas

Mudas de tomateiros podem ser plantadas em canteiro, vasos, jardineiras, cestas suspensas, etc., sendo que o local de plantio definitivo deve ser escolhido de acordo com a variedade a ser plantada. Vasos com pelo menos 40 cm de profundidade e diâmetro comportam a maioria das variedades de cultivares de tomate.

Tomateiro tutorado com estaca de madeira

Tomateiro tutorado com estaca de madeira

O transplante de mudas de tomateiro deve ser feito nas horas mais frescas do dia e com o solo úmido (tanto da muda quanto do local definitivo).

Cave covas profundas o suficiente para enterrar até 75% da muda de tomateiro. No momento do transplante, retire 2 dos ramos mais baixos e enterre também essa parte do caule para assim favorecer o surgimento de mais raízes. Pressione o solo levemente para que ele entre mais facilmente em contato com as raízes e regue moderadamente. Mantenha o solo úmido com regas diárias por pelo menos uma semana após o transplante.

É recomendado criar condições para os tomateiros de hábito indeterminado ou intermediário crescerem eretos (sem se apoiar no solo), fazendo-se o tutoramento (com estacas, treliças, gaiolas ou cercas que podem ser de madeira, metal ou bambu) e amarração dos ramos na estrutura (suave, usando barbante ou cordão de vime, por exemplo).

O espaçamento para o transplante deve ser feito de acordo com a variedade cultivada e as condições de cultivo, podendo ser de 30 cm (tomateiros anões), 45-60 cm (tomateiros de hábito determinado e intermediário), ou 70-90 cm (tomateiros de hábito indeterminado). Caso faça tutoramento, essas distâncias podem ser reduzidas em até 50%.

Fique bastante atento durante o primeiro mês após o transplante e retire manualmente (sem demora) as plantas invasoras, que concorrem por nutrientes e cujas raízes podem sufocar as dos seus tomateiros, afetando seu rendimento e a qualidade dos tomates.

Época para plantio

O tomateiro pode ser plantado quase que o ano todo, mas por ser tradicionalmente de clima quente, a melhor época para seu plantio é aquela em que as temperaturas não fiquem abaixo dos 12°C. Também é importante que a umidade relativa do ar e o volume de chuvas seja baixo. Embora cada variedade responda diferentemente às condições climáticas, plantar entre o outono e a primavera é, de maneira geral, o mais indicado.

Em regiões ainda mais quentes, como no Norte e no Nordeste do país, pode-se plantar tomateiros também no inverno, além de ser bom evitar plantá-los durante o verão, quando as temperaturas se mantêm facilmente acima dos 30°C.

Como cuidar do tomate

Adubação

Embora exigente, o tomateiro é sensível ao excesso de adubação, e necessita de nutrição moderada, sendo a adubação orgânica sólida bastante indicada para seu cultivo, com húmus de minhoca, musgo de turfa ou torta de nim, por exemplo.

Ao plantar mudas, é importante preparar o solo uma semana antes do trasplantio, colocando uma camadada com 3 cm de adubo no fundo da cova e cobrindo-a com outros 3 cm de solo para que as raízes não entrem em contato direto com o adubo, que pode ressecá-las.

De 4 a 5 semanas após o plantio das mudas, faça adubação de cobertura com uma camada generosa de adubo orgânico. Siga o mesmo procedimento assim que os primeios frutos começarem a aparecer e, então, a cada 3 semanas.

Também é possível adubar seus tomateiros com fertilizantes químicos, mas isso fará com que eles deixem de ser considerados orgânicos.

Poda e polinização

Por serem plantas mais preocupadas em crescer do que produzir frutos, podar seus tomateiros favorece uma maior e mais rápida produção de tomates. Para isso, você deve podar (com as mãos mesmo) ramos excessivos, que nascem entre o caule primário e os secundários.

A poda de manutenção das folhas também é indicada e deve ser feita cortando-se pela base a folha do meio de cada grupo de três folhas, nada mais.

Também é recomendado podar partes do tomateiro afetadas por doenças ou infestadas por pragas para evitar que essas se disseminem pelo resto da planta ou de sua horta, além de folhas e ramos secos ou mortos.

Os tomateiros são plantas que normalmente se polinizam sem ajuda externa, mas isso não quer dizer que você não pode estimulá-los. Tudo o que precisa fazer é balançar os ramos com florações ou dar tapinhas bem leves nas flores com as pontas dos dedos.

Irrigação

O tomateiro necessita de uma irrigação uniforme durante sua vida. O foco deve ser sempre manter o solo úmido, sem deixá-lo echarcado.

Regue abundantemente pelos 5 primeiros dias logo após o plantio. Então, diariamente, logo no início do dia, coloque a mão na terra para verificar o grau de umidade e regue com quantidade moderada de água quando perceber que a terra está começando a ressecar (normalmente a cada 2-3 dias).

Regar em excesso traz uma série de problemas como a remoção de nutrientes do solo, o crescimento exagerado da planta, o retardamento da maturação dos tomates, queda das flores e o surgimento de doenças (que também surgem mais facilmente quando são feitas regas noturnas). Se possível, regue sempre junto ao solo, evitano de aspergir a planta.

Iluminação

É possível ter tomateiros produzindo tomates em sua horta em condições de insolação direta por pelo menos 4h diárias. Contudo, os tomateiros são plantas que gostam de bastante Sol, crescendo e produzindo mais e melhor quando expostos a um período de 6h a 8h de insolação direta por dia.

Caso a temperatura esteja muito elevada (30°C ou mais), vale a pena deixar os tomateiros à meia-sombra durante a tarde para que suas flores não caiam e seus tomates não amoleçam.

Pragas e doenças

São muitas as doenças que podem afetar os tomateiros e seus tomates. Costuma-se dizer, inclusive, que quem consegue produzir tomates orgânicos conseguirá cultivar qualquer outra planta.

Por serem suscetíveis a fungos (mancha-de-estenfílio, mela-de-rizocotonia, murcha-de-fusário, murcha-de-verticílio, pinta-preta, podridão-do-esclerócio, podridão-de-esclerotínia, requeima e septoriose), bactérias (cancro-bacteriano, mancha-bacteriana, pinta-bacteriana, murcha-bacteriana, talo-oco e podridão mole dos frutos), vírus (vira-cabeça, mosaico-do-tomateiro, risca-do-tomateiro, topo-amarelo, amarelo-baixeiro e geminiviroses) e nematóides, é muito importante vistoriar seus tomateiros frequentemente, procurando por sinais como crescimento deficiente, partes murchas, manchadas ou mofadas.

Há também pragas como ácaros, pulgões, tripes, traças, brocas, moscas e larvas que podem afetar os tomateiros. Além de procurar proteger sua horta com plantas repelentes e utilizar métodos orgânicos de proteção contra insetos como o óleo de nim, é importante fazer o manejo correto dos seus tomateiros e vistoriar a horta com frequência, sempre buscando eliminar os focos de pragas.

Como e quando fazer a colheita do tomate

O momento do início da colheita dos tomates depende da variedade do tomateiro e das condições de cultivo, normalmente ocorrendo de 90 a 100 dias após o transplantio das mudas, sendo mais tardio para os de hábito indeterminado.

Para fazer a colheita, basta torcer os tomates individualmente até que se soltem das vinhas, ou então cortar toda a vinha com uma tesoura apropriada. Tome cuidado ao fazer a colheita, pois os tomateiros podem produzir frutos por alguns anos e você não vai querer prejudicar a próxima safra!

Para ter os tomates mais docinhos, saborosos e nutritivos possíveis, colha-os somente quando estiverem totalmente amadurecidos: firmes (mas não duros), cheirosos, com a coloração intensa, formato bem definido e pele lisa, independente do tamanho que tiverem atingido. Se preferir, contudo, pode colhê-los antes de estarem maduros, já que o tomate continua amadurecendo depois de colhido.

Se algum tomate tiver caído da vinha antes de amadurecer completamente, armazene-o longe da luz do Sol e espere que ele amadureça antes de consumi-lo.

Caso queira guardar algumas sementes para plantio posterior, escolha seus melhores tomates, abra-os e retire as sementes. Deixe-as fermentando num pote de vidro (à sombra) por 2 dias e depois, coe e lave as sementes, e as coloque sobre um pano para secar (também à sombra) por 4 ou 5 dias. Guarde-as num recipiente opaco, hermeticamente fechado. Um tomate contém normalmente de 80  a 200 sementes.

 

Conservação do tomate após a colheita

Após colhidos, limpe com um pano seco, proteja seus tomates da luz direta do Sol (que pode fazê-los apodrecer) e os mantenha à temperatura ambiente, evitando de colocá-los na geladeira (que muda a textura e acaba com parte do sabor). Assim, eles se manterão bem conservados por até 1 semana.

Tomates-cereja bem conservados

Tomates-cereja bem conservados

Para acelerar o amadurecimento dos tomates que foram colhidos prematuramente, embrulhe-os num jornal junto com uma banana ou uma maçã (sua produção de gás etileno fará com que os tomates amadureçam mais rápido).

Se seus tomates começarem a passar do ponto e você ainda não estiver pronto para utilizá-los, coloque-os na porta da geladeira (a parte mais quente) para que eles se mantenham bons por mais uns 2 ou 3 dias. Caso faça isso, retire-os da geladeira e deixe-os voltar à temperatura ambiente para recuperar um pouco do seu sabor e textura antes de utilizá-los.

Você também pode congelar seus tomates (por até 6 meses), estejam eles inteiros, cortados ou batidos. O importante aí é higienizá-los e colocá-los num recipiente hermeticamente fechado.

Para manter seus tomates próprios para consumo por mais tempo, você também pode fazer uma conserva de molho de tomate, que pode ser mantida em um local fresco e escuro por até 1 ano.

Preparação básica

Embora sejam frutos, os tomates são apenas suavemente adocicados e um pouco ácidos e têm características culinárias mais próximas às dos vegetais. Por isso, costumam ser preparados como eles e não aparecem em muitas sobremesas.

Antes de fazer qualquer coisa com seus tomates, é imprescindível que eles sejam bem lavados com água corrente e higienizados, ficando de molho por 15 minutos em água com vinagre, cloro e/ou bicarbonato de sódio (principalmente se não forem os tomates orgânicos da sua horta) e, em seguida, enxaguados com água corrente fitrada.

Depois de limpos e secos, você pode cortar seus tomates em rodelas para acrescentar a saladas verdes, saladas caprese ou sanduíches; cortá-los em cubos para fazer molho vinagrete, sopas ou ensopados; como base para um molho de tomate, em longos cozimentos, como no ragùketchup, uma salsa mexicana ou um gazpacho (sopa fria espanhola); fazer tomates secos, recheados ou gratinados; ou até mesmo em drinks como o bloody mary.

Algumas receitas pedem tomates pelados, sem sementes ou ambos, principalmente devido ao tipo de textura e sabor que querem alcançar. Retirar a pele dos tomates é muito fácil, como mostra o vídeo abaixo.

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Ao ser cozido, o tomate perde um pouco da sua acidez e adquire um sabor ainda mais adocicado. Para cozinhar tomates é recomendável evitar o uso de panelas ou talheres de alumínio. Os ácidos do tomate podem interagir com o metal e fazer com que ele se misture à comida, alterando o sabor e trazendo riscos potenciais à sua saúde.

2 Comentários

  1. boa tarde min ajude tirar uma duvida o tomate intaliano san marzano so pode ser cultivado em estufas ou pode ser no campo tambem

    • Em tese, podem ser cultivados no campo, também. A diferença é que na estufa o rendimento é e a resistência a pragas e intempéries tende a ser maior.

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